quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dúvidas, versões e interpretações históricas: os reflexos do polêmico Brasileirão de 1987

Quem é o campeão brasileiro de 1987? O Flamengo, vencedor da Copa União (Módulo Verde) daquele ano? Ou o Sport, que bateu o Guarani no quadrangular final, que não teve a presença de Flamengo e Internacional, respectivamente campeão e vice do Módulo Verde?


Essa discussão, somada à recente conquista do Brasileirão 2009 pelo Flamengo, trouxe à tona a pergunta: o rubro-negro carioca é pentacampeão ou hexacampeão brasileiro? Além disso reavivou um outro questionamento, feito quando o São Paulo foi penta em 2007: qual é o primeiro pentacampeão brasileiro da história, o Tricolor ou o rubro-negro?

Não há como não recorrer à história diante de tantas dúvidas.


Depois do Campeonato Brasileiro de 1986, conquistado pelo São Paulo contra o Guarani, a CBF tentou mudar o regulamento classificatório para a disputa do Brasileirão. Até aquele ano, o nacional era inchado: os torneios estaduais serviam como classificatório e, dessa forma, todos estados brasileiros possuíam ao menos um representante. A ideia da CBF era formar uma primeira divisão com as 24 melhores agremiações de 1986; contudo, não obteve sucesso e foi aí que os grandes clubes se rebelaram e resolveram criar o Clube dos Treze (C13), pois a CBF afirmou que faria um campeonato com 40 clubes.


Há divergências quanto à história contada de que a CBF quis alterar o regulamento – no que se refere à introdução do cruzamento entre os dois melhores dos módulos Verde e Amarelo na disputa de um quadrangular final – durante a competição.


Alguns defendem a tese de que o ex-presidente vascaíno Eurico Miranda – à época, o representante do C13 na CBF – aceitou a proposta da entidade que comanda o futebol brasileiro. No entanto, ao levar o regulamento ao C13, encontrou resistência de outros membros influentes, propiciando assim o imbróglio. Segundo essa tese, portanto, o campeonato iniciou com o regulamento que indicava o cruzamento, porém com a rejeição do C13. Na contramão, há quem argumente que houve uma jogada vergonhosa da CBF, o que em outras palavras significa uma mudança de regulamento durante a competição.


Qual é a versão correta? Não sei, “não vivi” (já era nascido, mas tinha pouco mais de 1 ano). Apresento-lhes as duas versões que foram disseminadas por aqueles que se arriscam em contar a história do Campeonato Brasileiro desde o seu surgimento em 1971.


Outra divergência é acerca do Módulo Amarelo, apelidado por muitos de segunda divisão. Pergunta-se: como pode ser segunda divisão um campeonato que tinha o Guarani, o vice-campeão do ano anterior (1986) ante o São Paulo?


O que pode reforçar o pensamento daqueles que defendem a Copa União (Módulo Verde) como o verdadeiro Brasileirão 1987 é a transmissão televisiva: a Globo reproduzia, ao vivo e para o Brasil inteiro, os jogos do torneio organizado pelo C13.


Se o São Paulo, naquela oportunidade, apoiou a criação da Copa União e, junto aos demais clubes participantes, deu àquele torneio o status de Campeonato Brasileiro, então não há o que se discutir: se houver coerência e um mínimo de bom-senso pelos lados do Morumbi, o Tricolor é obrigado a reconhecer o Flamengo como o primeiro pentacampeão brasileiro e dar ao rubro-negro a tal taça das bolinhas (se é que um dia irá recebê-la), por mais que a CBF vá em linha contrária. E um agravante para isso é o fato do atual presidente são-paulino ser Juvenal Juvêncio, que em 1987 ocupava o cargo de diretor de futebol do Tricolor.


“Ah, e as respostas das questões feitas no início?”, deve estar indagando-se o leitor, num justo tom de cobrança.


Bem, pode o São Paulo aceitar decisões que foram tomadas com o seu consentimento no passado e reconhecer o Fla como primeiro pentacampeão, e pode a CBF, por sua vez, posicionar-se de maneira firme sobre o assunto. Nada disso irá por um fim na polêmica criada.


Os bate-bocas entre dirigentes do rubro-negro carioca e do rubro-negro pernambucano, bem como a briga de bastidores entre eles, será eterna e nenhum dos dois irá concordar em dividir o título de 1987.


Seja quando o Flamengo conquistar mais um Brasileirão, seja quando um jovem flamenguista perguntar se é penta ou hexa, seja enquanto a taça das bolinhas não estiver no poder de algum dos clubes que a pleiteiam, a história daquele Campeonato Brasileiro de 1987 deverá ser para sempre contada. E com as mais diversas e misteriosas versões e interpretações.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um tapinha pode não doer, mas também é agressão

A regra número 12 do futebol – "Faltas e Condutas Antidesportivas" – diz o seguinte no que diz respeito às sanções disciplinares por cartões vermelhos:

"Um jogador em campo, substituto ou substituído será excluído
se cometer alguma das sete seguintes infrações:

- jogo brusco grave;

- conduta violenta;

- cuspir em um oponente ou qualquer outra pessoa;

- evitar intencionalmente uma clara oportunidade de gol do
adversário colocando a mão na bola (com exceção do goleiro, desde que na área
penal);

- evitar uma clara oportunidade de gol do adversário mediante
falta punível com tiro livre ou pênalti;

- utilizar-se de linguagem e/ou gestos ofensivos e
abusivos;

- receber uma segunda advertência (cartão amarelo) na mesma
partida"

No jogo de ontem em que o São Paulo garantiu a liderança do Campeonato Brasileiro ao vencer o Vitória por 2x0 no Morumbi, os são-paulinos André Dias e Hugo discutiram rispidamente por discordarem da maneira como o posicionamento do sistema defensivo do Tricolor estava sendo feito em um lance. Até aí, normal, não fosse o fato de um ter empurrado o rosto do outro – e vice-versa – como mostra o vídeo abaixo:

Qualquer agressão, por mais leve que seja, é passível de cartão vermelho. Não é à toa o grifo feito na infração "conduta violenta" da regra número 12 do jogo, detalhada anteriormente: qualquer agressão é uma conduta violenta.

Os jogadores do São Paulo, portanto, deveriam ter sido expulsos. Contudo, André Dias e Hugo levaram apenas um cartão amarelo cada.

Na 21ª rodada, situação semelhante ocorreu no jogo Palmeiras x Inter, no Parque Antártica. Naquela ocasião, o palmeirense Diego Souza agrediu o volante colorado Sandro com um empurrãozinho no rosto. Os dois já travavam um grosseiro bate-boca antes disso. A exemplo do ocorrido na noite de ontem no Morumbi, os dois saíram apenas com o amarelo, que ficou de bom tamanho para Sandro, mas barato para Diego Souza.

Certamente, decisões semelhantes de árbitros ocorreram em outras partidas do Brasileirão. É preocupante, porém, a constatação de arbitragens frouxas e caseiras (em ambas situações relatadas os mandantes foram beneficiados) em detrimento da aplicação da regra do jogo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Revelação de 'mala branca' estaciona no Morumbi. Faz sentido?

O caso da “mala branca” divulgado por jogadores do Barueri após a vitória sobre o Flamengo na 32ª rodada envolveria, em tese, três clubes. Seriam eles: o Barueri, cujos jogadores receberiam a recompensa da “mala”; o Flamengo, o adversário derrotado; e o Cruzeiro, que seria o responsável por oferecer o incentivo aos jogadores do clube paulista.


Eis que, deflagrada a polêmica, o presidente em exercício do Barueri, Marcos Antonio Monteiro de Almeida, resolve afastar o goleiro Renê e o centroavante Val Baiano – os dois jogadores que comentaram sobre a tal “mala branca” em entrevistas após a vitória sobre o Flamengo.


A partir dessa decisão da diretoria do Barueri, outro clube passou a fazer parte do caso: o São Paulo, adversário do time da Grande São Paulo na 33ª rodada do Brasileirão. Gilberto Cipullo, dirigente do Palmeiras, que briga pelo título com o Tricolor, ligou o sinal de alerta alegando que o afastamento dos atletas enfraqueceria o Barueri e que, portanto, a partida estaria “sob desconfiança”.


O São Paulo venceu o jogo por 1x0 e, dois dias depois, veio a notícia de que Renê e Val Baiano seriam reintegrados. A partir daí, mais insinuações e especulações.


De fato, foi absurdo o afastamento dos dois jogadores do Barueri. Tão ou mais absurdo foi reintegrá-los em curto período de tempo. Dizem que o desligamento da partida contra o Tricolor se deu porque o atual presidente do Barueri é são-paulino. E se for? O que o São Paulo tem a ver com isso?


E a reflexão mais importante (perdão pelas merecidas letras garrafais): com todo respeito que merecem os dois atletas, MAS O DIA QUE O SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE ACHAR NECESSÁRIO BOLAR UM PLANO PARA AFASTAR RENÊ (!!) E VAL BAIANO (!!!!) DO ADVERSÁRIO QUE IRÁ ENFRENTAR, É PORQUE TEM QUE FECHAR AS PORTAS!


Chegaram a levantar a possibilidade, ainda, de que um possível acordo entre Barueri e São Paulo foi motivado pela concessão da Arena Barueri enquanto o Morumbi esteja em reformas para a Copa-2014. Quem especula isso, está muitíssimo mal informado.


A Arena Barueri pertence à Prefeitura da cidade e o clube Grêmio Barueri Futebol Ltda., que manda seus jogos no local, paga pelo seu aluguel. Portanto, se o São Paulo tiver que negociar para jogar neste estádio, terá de fazê-lo com o governo municipal de Barueri, e não com o clube da cidade.


Vale o adendo de que a prefeitura de Barueri e o Grêmio Barueri Futebol Ltda. estão em litígio, o que elimina qualquer relação que tentem fazer nesta especulação em torno da utilização da Arena Barueri pelo São Paulo.


Em seus primórdios, o Barueri contou com o aporte financeiro do governo municipal. Por conta disso, em 2006 o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado decidiram proibir o direcionamento de recursos públicos a clubes de futebol profissional.


Dessa decisão nasceu o Grêmio Barueri Futebol Ltda., o que desagradou o prefeito da cidade Rubens Forlan, pois a transformação do clube em empresa beneficiaria um grupo restrito formado por cinco dirigentes (sócios), dentre eles o presidente licenciado Walter Sanchez e o seu filho. Forlan desejava ver o novo Barueri como um clube que pudesse ter um quadro de associados e um estatuto, nos moldes de São Paulo, Corinthians e Palmeiras, por exemplo.


Todas essas ponderações devem (ou deveriam) ser levadas em consideração antes de qualquer acusação ou ilação que incrimine o São Paulo no caso da “mala branca” ou no afastamento dos atletas. Ou, se há desconfiança, que se faça a devida apuração antes de discutir o assunto. Insinuações não fazem parte do jornalismo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Busca por qualidade de vida alavanca corridas de rua

Socialização e saúde são as principais causas para a adesão à corrida, diz professor


RAFAEL BUENO

GUSTAVO QUATTRONE

O bem-estar físico e mental é objetivo bastante comum às pessoas. Atingi-lo, no entanto, não tem sido tarefa fácil nos dias atuais, muito em razão do significativo aumento do sedentarismo e estresse. Para combater estes comportamentos prejudiciais, profissionais da saúde recomendam cada vez mais aos seus clientes a prática de atividades físicas regulares.

Na tentativa de adquirir a tão almejada melhor qualidade de vida, as corridas de rua têm sido bastante requisitadas para esta finalidade. Em 2008, a Federação Paulista de Atletismo, registrou mais de 372 mil inscritos em corridas de rua que aconteceram na cidade de São Paulo. A Corpore – clube de corridas com quase 230 mil associados e principal organizadora de eventos do ramo no Brasil – registra, ano a ano, o crescimento de participantes nas corridas que promove. No início da década, foram 28,4 mil inscritos, enquanto no ano passado esse número saltou para 132,1 mil.

O professor de educação física André Ribeiro, 33 anos, dono da AR4 Assessoria & Consultoria Esportiva, confirma o ideal da qualidade de vida como propulsor das corridas de rua. “A alta procura pelas corridas é pelo trabalho em grupo, que possibilita a socialização, e pelo objetivo da saúde, em que as pessoas procuram a corrida por indicação de médicos e amigos”, diz. Outros fatores como o baixo custo e a praticidade (requer apenas um par de tênis e shorts) também são citados por Ribeiro.


De acordo com o professor, “para falar de qualidade de vida são necessários exames básicos, como o teste ergométrico, a avaliação física, dentre outros”. Em casos específicos, em que se evidencia o sobrepeso, por exemplo, Ribeiro opta por nem pedir a avaliação física “para não desmotivar” o aluno. Apenas após três meses do início do plano de treinamento é que uma avaliação mais detalhada será feita, dependendo da frequência do praticante nos treinos.


O corredor Bruno Celso, de 23 anos, é um caso emblemático de quem optou pela corrida no périplo em busca de uma vida mais saudável. Há três anos e meio, resolveu correr e procurou a assessoria do professor André Ribeiro. Celso pesava 140 kg; hoje pesa 105 kg. “O objetivo era perder peso. Esses problemas como o colesterol podem acarretar num enfarte. E eu tenho o histórico familiar, que não ajudava também”, explica o atleta amador, que ainda pretende perder mais 10 kg. Para conseguir atingir a nova meta, Celso mantém sua rotina de treinos e diz controlar sua alimentação. “Eu mesmo me controlo, procuro comer menos e comer coisas mais saudáveis. Nos fins de semana que a gente quebra um pouco isso”, diz.

Bruno Celso mostra as medalhas que ganhou com a participação em corridas

Com o tempo, a corrida deixa de ser considerada apenas um meio para atingir o objetivo de melhorar a qualidade de vida – ela se torna quase que indispensável na vida das pessoas. É o caso de Celso: “não fico mais sem a corrida. Peguei gosto e, se fico uma semana parado, a musculatura fica solta e tenho a sensação até de que engordei. Tem certos treinos que são chatos, porque você sai muito desgastado no fim, mas sei que são importantes. O legal mesmo é a corrida: quando você termina, a sensação é muito boa e você acaba levando essa sensação para frente”.


A corrida se tornou tão popular entre os brasileiros que até um programa de rádio semanal foi criado: o Fôlego, veiculado na Rádio Bandeirantes, que vai ao ar todo domingo, das 8h30 às 9h00. O apresentador do programa, o jornalista Ricardo Capriotti, explicou por e-mail de onde surgiu a ideia do programa: “depois que eu comecei a correr, em 1999, observei o crescimento do número de praticantes. No início me machuquei bastante por falta de orientação especializada e, para não deixar que outros corredores cometessem o mesmo erro, resolvi prestar um serviço nesta área”.


Capriotti diz que a corrida surgiu como opção após uma cirurgia que teve de fazer. A orientação inicial era para que caminhasse durante 30 minutos, todos os dias. Naturalmente, passou da caminhada para a corrida. “Meu objetivo principal era ganhar saúde e qualidade de vida. Consegui alcançar isto. Hoje, com 43 anos, me sinto muito melhor do que vinte anos atrás”, relata o apresentador do programa Fôlego.

Serviço

AR4 Assessoria & Consultoria Esportiva

Site: www.ar4consultoria.com.br
Tel.: (11) 8382-0748 (professor André Ribeiro).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Errata

No post Olimpíada 2016, confirmada para o Rio, une desconfiança e empolgação, a informação de que o orçamento inicial do Pan-2007 era de R$ 710 milhões não procede.

O valor correto é estimado em R$ 400 milhões, com algumas variações para mais (como já era de se esperar - para menos é que não seria, né?).